Xuxu, beterraba e o trem da aceitação.
Há conversas de boteco que acabam virando psicanálise, e o resultado de toda terapia é a evolução. Foi o que aconteceu com Tonho chuchu naquela tarde quente de sábado em Pinda. Bebida vai, bebida vem, bebida entra e a verdade sai.
Tiburcio perguntou por que sua esposa o chamava de chuchu, e ele comentou que ouviu Joana, sua esposa, dizer aos amigos dela sobre ele: "Apesar do meu marido não ser bonito, ser mais velho e descuidado com a aparência, é um cara legal; mão aberta, não me proíbe de viajar, sair com os amigos, um chuchuzinho." Daí surgiu o apelido carinhoso: "Chuchu". É chuchu pra cá, chuchu pra lá, chuchu pra todo lado.
"Você gosta de ser chamado de CHUCHU?" Questionou Antônio. "É carinhoso!" respondeu ele envergonhado. "Você gosta de chuchu?" Carlos perguntou, deixando mais uma garrafa de cerveja na mesa. "Não! Chuchu não tem graça… Pensa, chuchu não tem personalidade: se coloca ao lado da beterraba até a cor imita e no arroz então, chuchu com arroz tem gosto de arroz com água."
Tiburcio parou por alguns segundos, aparentemente refletindo sobre a conclusão que seu amigo chegou sobre o chuchu. E a cara não estava nada boa. O silêncio tomou conta do recinto até que Tonho tomou o último gole de cerveja, bateu o copo na mesa e disse aos amigos: "Vou agora mesmo acabar com essa palhaçada."
Chegando em casa, aparentemente nervoso, chamou Joana e disse: "A partir de hoje, você vai fazer chuchu duas vezes na semana. Preciso aprender a gostar desse trem.
A primeira receita foi com lula, mas ninguém sabe se caiu muito bem.

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